Eugenio Goussinsky / ESPECIAL PARA O ESTADO
O governo israelense, com base em informações sigilosas, alertou o
Consulado-Geral de Israel em São Paulo para a possibilidade de um
atentado do grupo extremista libanês Hezbollah na capital paulista. A
representação diplomática entrou em estado de alerta.
Cônsul disse ter recebido instruções para reforçar segurança em locais próximos ao consulado
A informação foi dada ao
Estado pelo cônsul israelense, Ilan Sztulman,
que confirmou ter recebido instruções de seu governo para reforçar a
segurança nos arredores do consulado e nas instituições judaicas
paulistas. Ele mesmo declarou ter alterado a rotina e cancelado
compromissos por motivos de segurança. "Estamos temerosos e com cautela.
Tomamos medidas de precaução extrema no trabalho do consulado e de
entidades da comunidade judaica", disse nesta quarta-feira, 23, o
diplomata, que está no cargo desde 2010.
Sztulman afirmou que o governo brasileiro já foi informado sobre a
possibilidade de um ataque terrorista e reforçou a segurança nas
fronteiras, nos portos e nos aeroportos.
"Temos indícios de que o Hezbollah pretende retomar ataques na América
Latina. O Brasil é um dos países que correm risco. Quando me dão o
alerta, não dizem o que é exatamente. As fontes de informação são
sigilosas. Recebi informações sobre um risco maior, com um pedido de
providências para aumentar a segurança."
O andar ocupado pelo consulado, em um edifício na zona sul paulistana,
está sob intensa vigilância. Para entrar no local, blindado por uma
porta de vidro na entrada principal, é necessário passar por detalhada
revista, que inclui a utilização de detector de metais em cada objeto
pessoal - incluindo agasalhos, cinto e canetas. Não é permitido o
ingresso com mochilas ou sacolas, nem mesmo na sala de segurança.
Aparelhos eletrônicos ficam retidos e só podem ser retirados no momento
da saída.
Na semana passada, o jornal italiano Corriere della Sera destacou que
fontes de alto escalão do governo israelense confirmaram a chegada de
membros do Hezbollah, com apoio do Irã, à América do Sul. Segundo a
reportagem, a Bolívia e a Colômbia seriam outros possíveis alvos.
Para reafirmar seu temor, Sztulman lembrou os atentados nos anos 90
lançados contra a Embaixada de Israel em Buenos Aires, que deixou 29
mortos, e a entidade judaica Amia, que matou 85 pessoas. Israel e EUA
atribuem as ações ao Hezbollah e afirmam que o grupo recebeu apoio
financeiro do Irã, que nega as acusações.
Apesar das suspeitas do Ministério Público argentino, as investigações
não foram concluídas. "Antes dos atentados também era difícil acreditar
que o Irã realizaria um ataque em um país soberano", afirmou o cônsul.
Apesar de um acordo entre o Irã e a Agência Internacional de Energia
Atômica (AIEA) estar próximo, ele não tem dúvidas de que o Irã busca
construir uma bomba nuclear. "A discussão não é se o Irã está fazendo a
bomba, mas o quanto está avançado."
Ameaça. Sztulman ressalta, porém, que o conflito árabe-israelense não se
enquadra na questão. "O Irã não é árabe, é persa. Não temos fronteiras
comuns, nunca houve conflito. Israel era aliado do Irã, com voos diários
e intercâmbio entre os países", afirmou.
"Nosso problema não é com o povo, mas com o governo iraniano, que busca a
hegemonia na região e tenta desviar a atenção de problemas internos,
tornando-se uma ameaça ao mundo."